terça-feira, 10 de setembro de 2013

A POLÊMICA DO ATERRAMENTO Parte 2



E a polêmica continua! Na foto acima, que eu tirei indevidamente da ABNT/NBR5410, podemos ver os principais esquemas de aterramento regulamentados pela tal norma. Mas não é que um professor do SENAI disse que o único esquema regulamentado é o TT... Mas antes de continuar, vou falar um pouco sobre os esquemas de aterramento.
Na foto acima nós temos em sequência: Figura 1 - Esquema TN-S (O condutor neutro e o condutor de proteção são separados ao longo de toda a instalação); Figura 2 - Esquema TN-C-S (As funções de neutro e de condutor de proteção são combinadas em um único condutor em uma parte da instalação); Figura 3 - Esquema TN-C (As funções de neutro e de condutor de proteção são combinadas em um único condutor ao longo de toda a instalação); e Figura 4 - Esquema TT.

Para se entender todos os esquemas, é preciso observar o que a norma diz. Vou reproduzir parcialmente o que a NBR5410 diz, pois apesar de ser proibido, como vamos debater o tema sem mencionar o que a Norma diz? Lá vai!

"Esquemas de aterramento:

Nesta Norma são considerados os esquemas de aterramento descritos a seguir, com as seguintes observações:

a) as figuras 1 a 4 mostram exemplos de sistemas trifásicos comumente utilizados;

b) para classificação dos esquemas de aterramento é utilizada a seguinte simbologia:

- primeira letra - Situação da alimentação em relação à terra:
 T = um ponto diretamente aterrado;
  I = isolação de todas as partes vivas em relação à terra ou aterramento de um ponto através
de uma impedância;

- segunda letra - Situação das massas da instalação elétrica em relação à terra:
 T = massas diretamente aterradas, independentemente do aterramento eventual de um ponto
de alimentação;
 N = massas ligadas diretamente ao ponto de alimentação aterrado (em corrente alternada, o
ponto aterrado é normalmente o ponto neutro);

- outras letras (eventuais) - Disposição do condutor neutro e do condutor de proteção:
 S = funções de neutro e de proteção asseguradas por condutores distintos;
 C = funções de neutro e de proteção combinadas em um único condutor (condutor PEN).

NOTAS - Nas figuras 1 a 4 são utilizados os seguintes símbolos:

Esquema TN

Os esquemas TN possuem um ponto da alimentação diretamente aterrado, sendo as massas ligadas a este ponto através de condutores de proteção. Nesse esquema, toda corrente de falta direta fase-massa é uma corrente de curto-circuito. São considerados três tipos de esquemas TN, de acordo com a disposição do condutor neutro e do condutor de proteção, a saber:

a) esquema TN-S, no qual o condutor neutro e o condutor de proteção são distintos;
b) esquema TN-C-S, no qual as funções de neutro e de proteção são combinadas em um único condutor
em uma parte da instalação;
c) esquema TN-C, no qual as funções de neutro e de proteção são combinadas em um único condutor ao
longo de toda a instalação.

Esquema TT

O esquema TT possui um ponto da alimentação diretamente aterrado, estando as massas da instalação ligadas a eletrodos de aterramento eletricamente distintos do eletrodo de aterramento da alimentação. Nesse esquema, as correntes de falta direta fase-massa devem ser inferiores a uma corrente de curto-circuito, sendo porém suficientes para provocar o surgimento de tensões de contato perigosas."

Pois bem! Voltamos!

Pra mim a Norma deixa claro que todos os esquemas de aterramento apresentados acima podem ser usados. Mas agora o que o professor falou é um pouco estranho. Ele poderia dizer que os esquemas TN são usados quando a corrente de falta direta fase-massa é uma corrente de curto-circuito. E o esquema TT é usado quando as correntes de falta direta fase-massa são inferiores a uma corrente de curto-circuito, sendo porém suficientes para provocar o surgimento de tensões de contato perigosas. Exatamente como diz a norma! Mas qualquer outra explicação, pra mim não vale. Mas o problema é que a polêmica continua. E este assunto ainda vai render algumas postagens.

Abraços!

David Coutinho
Eletrotécnico
Crea-RJ 2013101087

quinta-feira, 25 de abril de 2013

DICAS DE SEGURANÇA EM ELETRICIDADE Parte 2



·         Não deixe que as crianças mexam em aparelhos elétricos ligados, toquem em fios e muito menos ponham os dedinhos nas tomadas.

·         Todas as partes de instalações elétricas devem ser projetadas e executadas de modo que seja possível prevenir, por meios seguros, os perigos de choque elétrico e outros acidentes.

·         Nas instalações elétricas prefira materiais de boa qualidade.

·         Somente pessoas com conhecimento do assunto deverão executar serviços em instalações elétricas e, em caso de dúvidas, procure sempre um eletricista habilitado.

·         Desligue sempre a chave geral ou disjuntor, antes de fazer manutenção ou reparos na instalação elétrica, assegurando-se de que não venha a ser ligada por engano durante a realização dos trabalhos.

·         Planeje seu trabalho antes de realizá-lo.

·         Siga sempre os procedimentos estabelecidos para a realização de trabalhos em instalações elétricas.

·         Certifique-se de que as instalações não estejam energizadas. Antes de tocá-las, use aparelho de teste.

·         Use sempre ferramentas com cabos isolados.

·         Nunca toque em instalações, aparelhos e equipamentos elétricos com as mãos, pés ou roupas molhadas.

·         Ao se deparar com fio elétrico solto na rua, mantenha-se afastado do local, pois o mesmo poderá estar energizado. Chame a concessionária imediatamente.

·         Oriente as crianças para soltar pipas longe dos fios da rede elétrica, evitando com isso a ocorrência de graves acidentes. Escolha lugares abertos e espaços livres (campos de futebol, parques e praias).

·         Na construção ou manutenção predial próxima a rede elétrica, tome muito cuidado mantendo uma distância segura da rede ao manobrar barras de ferro, canos, arames, trilhos de cortina, suporte de luminosos e outros materiais.

·         Somente com tempo bom, instale, desligue ou remova antenas.

·         Procure fixar a antena de TV longe dos fios da rede elétrica. Calcule uma distância segura para que, em caso de queda, ela não toque os fios da rede elétrica.

·         Somente profissionais das concessionárias de energia elétrica estão habilitados e treinados para a realização de serviços na rede pública.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

A POLÊMICA DO ATERRAMENTO Parte 1



Não é por acaso que “aterramento elétrico” é um tema recorrente. Há alguns dias, após iniciar um curso para aproximadamente 30 engenheiros, constatei que muitos deles continuavam a ter como referência, quase que tatuada em suas mentes, o conceito de separação dos eletrodos de aterramento das instalações de energia, de sinal e do Sistema de Proteção contra Descargas Atmosféricas (SPDA), em uma mesma edificação.
Seja por exigência absurda de um fabricante que alega não dar garantia ao equipamento fornecido se ele não possuir o seu eletrodo exclusivo, com “x” Ohms de resistência elétrica, seja por falta de acesso à informação, a ideia de que eletrodo de aterramento deve ser único para a edificação e servir a todas as instalações elétricas (energia, sinal e SPDA) existentes continua obscura perante grande parte da comunidade técnica nacional.
O problema é tão contundente e mal interpretado que basta surgir algum evento que movimente a mídia, ainda que sem relação direta com o assunto, para começarem as especulações. Com relação ao padrão brasileiro de tomadas que consta da ABNT NBR 14136:2002 (versão corrigida em 2008) – Plugues e tomadas para uso doméstico e análogo até 20 A/250 V em corrente alternada – Padronização, cheguei a ouvir o seguinte disparate: “Está vendo? Agora é obrigatório ter um aterramento exclusivo para cada tomada”, como se todos os formatos existentes até hoje que já possuíssem três pinos tivessem nesse terceiro pino um objeto de adorno ou um “pino guia” para facilitar o encaixe dos demais.
Eletrodo de aterramento é, por definição, uma parte da instalação elétrica que fica enterrada e, portanto, não tem influência direta no terceiro pino da tomada, seja qual for o padrão utilizado.
As normas ABNT NBR 5410:2004, versão corrigida em 2008, a ABNT NBR 5419:2005, atualmente em revisão, a ABNT NBR 14039:2005 e a ABNT NBR 15751:2009 definem os termos eletrodo de aterramento, sistema de aterramento, condutor de proteção (PE), condutor e barramento de equipotencialização, bem como a forma correta de suas aplicações.
Conhecendo as informações contidas nessas normas, consideremos como exemplo um eletrodo de aterramento de um prédio comercial de 15 andares, com 20 m de largura e 50 m de comprimento. Se o eletrodo de aterramento projetado for constituído por um condutor de cobre, este deve seguir as seguintes condições mínimas:
·         ter seção transversal igual a 50 mm²;
·         circundar toda a edificação na forma de um anel fechado, preferencialmente se distanciado da mesma de 1 m a 1,5 m;
·         estar enterrado, no mínimo, a 0,5 m de profundidade;
A este eletrodo devem estar convenientemente conectados todos os componentes das instalações elétricas (energia, voz, dados, TV, etc.), os elementos metálicos que adentrem o prédio (blindagens, tubos metálicos, etc.) e as descidas do SPDA.
O segredo não está na separação dos eletrodos para o aterramento de cada componente, mas na forma como todos os componentes devem ser conectados a esse eletrodo único. O ponto principal de conexão deve ser, em primeira instância, o Barramento de Equipotencialização Principal (BEP), ou as demais denominações dadas a essa peça, cuja correta forma de localização e utilização pode ser encontrada nas normas já citadas.
Dessa maneira, podemos afirmar que é tão absurda a separação do eletrodo de aterramento em uma mesma edificação quanto a interligação direta entre a armadura estrutural do pilar e o terceiro pino da tomada de energia, por exemplo, no décimo andar do edifício. Afinal, acredita-se que ninguém em sã consciência queira seu equipamento energizado com correntes impulsivas quando ocorrer uma descarga atmosférica, correto? A maior certeza nisso tudo é que, de formas diferentes, acontecerá exatamente isso nos dois casos! O maior risco é o da desinformação.
Escrito por: Jobson Modena
ATITUDE EDITORIAL
Edição 50, Março de 2010
Publicado inicialmente em:
PORTAL O SETOR ELÉTRICO